terça-feira, 15 de outubro de 2013

amava tanto
que passei tanto tempo
a lhe esquecer
que esqueci como se ama

o bê-a-bá do amor já não sei
soletro o beijo : bei-jo
na tentativa inútil
de reaprender o que esqueci

porém

só restam as cinzas, o pó e a pá
que o coveiro empunha
e a estrada sem fim e os olhos secos
vazios do seu semblante
e a vida é em pó, tal como a sopa
a sopa que esfria no prato
o prato que esfria na prateleira
a prateleira que esfria na parede fria
pois fria é casa vazia
pois vazia é casa sem seu corpo
pois vazio é meu corpo sem seus olhos
pois vazios são meu olhos sem você

não sou mais pão nem alimento
sou pão velho ao seu dispor ou de quem queira
Por não saber amar
Sou um saco vazio e sem peso
que o lixeiro esqueceu de levar



4 comentários:

Rovênia disse...

Pode ter esquecido, não se atentado, mas acordou e é isso que interessa. Quantos morrem sem nunca terem acordado? :) Um abraço!

Ana Carla disse...

Nã-ni-nã-não! Amar é como andar de bicicleta: depois que se aprende, não se esquece mais! Pode perder a prática, ficar um pouco inseguro, mas "desaprender" a amar não existe!

Nina disse...

Que bonito! Achei incrível a passagem "Ela não entendeu que certas coisas são permanentes, especialmente a solidão". É, certas coisas são permanentes...
Parabéns pelo escrito.

Abraços,
Nina & Suas Letras

Luma Rosa disse...

Oi, Benno!
A diversidade do modo de agir acaba ao final da vida se igualando. É a vida ensinando que todos nós passaremos pelos mesmos ciclos. Se bons ou ruins, melhor ter por perto quem nos ame!
Beijus,

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