segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Aninha falava a não mais poder, falava de todo mundo, falava mais que todo mundo, falava mais do que a boca e mais até que os ouvidos de todo mundo. Não haviam palavras que bastassem e não bastavam os ouvintes que haviam.

Aninha não sabia a razão pela qual a natureza nos deu dois ouvidos e apenas uma boca. Por isso, não ouvia. Em compensação falava por si e pelo outros. Um dia, entretanto, cometeu um delize (uma coisa qualquer que fulana contou pra sincrana sobre ela ter sido vista em certo lugar com alguém, mas isso realmente não importa) e caiu na boca do povo.

A serpente, vitimada pelo seu próprio veneno, resolveu enfim silenciar.

- Ficou muda - diziam à boca pequena - pois o que antes dissera já compesara até o fim dos tempos. Quem não espera sua vez de falar acaba sendo silenciado.

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Quer mudar o mundo? Então comece por você mesmo. A honestidade não é uma coisa para os outros, mas uma coisa para você. Faça do seu exemplo inspiração. Apenas quando tiver se tornado esta pessoa, que gostaria que as outras fossem, exija. Quando você, pregando a honestidade, é desonesto, você acaba sendo desonesto ao quadrado. Mas é tanta gente que é assim, que dá vontade de desistir de tudo.

Antes de mais nada e acima de tudo, não dê estúpidos contra-exemplos e torne as coisas ainda piores. Não esperem que limpem a calçada em frente a sua casa, pois ali é sua casa também. Se as ruas são sujas é porque o povo é sujo. Se o brasileiro é exemplo maior de higiene pessoal, por que não tem o mesmo comportamento com relação as suas cidades ? Criticam outros povos por não tomarem banho todos os dias, mas enchem as cidades de sujeira.

Digo isso, todo mundo só sabe dizer que todos fazem tudo errado, mas quem é que faz certo que nunca aparece?

Se todos, absolutamente todos, fazem tudo errado, então deveriam ficar quietos, ou então começar a fazer.


Mas, não. Apareceram milhares nas ruas e, com toda razão, urraram para que fizessem certo as coisas. Mas continua a não aparecer ninguém para fazer certo. Só gente para urrar por honestidade (tal como fazem os políticos, nada absolutamente nada de novo aí!) destruir, sujar, mas isto já era assim, não é mesmo?  Mais uma dose disso, a gente não precisa. Não consigo ver o que pode mudar deste jeito.
 
-x-

Cruzou oceanos, escalou e desceu gigantescas montanhas, tudo para encotrar o mestre que lhe daria enfim a luz.

Quando esquálido, enfraquecido, desnutrido, pálido e maltrapilho chegou ao seu destino, face a face com o sonhado guru, perguntou:

- Mestre, onde posso encontrar a luz?
- Dentro de você mesmo existe a luz, precisa encontrá-la por si mesmo.

Então, será que fizera todo o caminho em vão?

Às vezes, o que sonhamos se encontra tão perto e não percebemos.






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Morreu mil vezes no caminho em direção ao cadafalso.
Quando a corda lhe envolvida, bruta, cortante, definitiva e impiedosamente a garganta, sentiu que seria apenas mais uma morte.
Antes da sentença fatídica ser executada, o mensageiro, esbavorida e apressamente, contra-sentenciou.
- O indulto foi concedido. Que a pena não seja executada.
Tudo em vão, pois a vida não acontece mais após se ter morrido tantas vezes.

-x-


era plena noite
e plenilúnio, mas mesmo assim
durante um eclipse
a Lua se escondeu de mim

a Lua foi sempre assim
e assim como você
ela é inconstante
ora se apresenta e me ama
mas no outro instante
foge de mim e me odeia
depois fica branca, nua e cheia (de luz)
e despudorada me seduz

(e a sua nudez reluz sob a luz nua da Lua)





faz de tudo para mim
mas o paraíso só dura um instante
e logo fica escura, crescente ou minguante
e se afasta de mim

(despudorada, desaforada e desafiante)

você que sempre foi e será minha dona
mas bem no meio da noite me abandona
sai de minha vida para sempre
com a Lua em seu ventre
túrgida, grávida,
inchada de tanto amor
amar-ga de tanto amar
e eu sofro, definho e morro
do meu céu noturno e da minha cama
eu nas alvuras dos meus vastos lençóis
úmidos de tanto receberem meu choro
eu tão triste assim
abraçado e enrolado a um travesseiro
sinto impregnar-se em mim
e ao seio da cama o teu cheiro

seus provocares me afrontam
e eu não suporto mais essas travessuras
que em meio à noite e a tantas venturas
a Lua e você me aprontam

-x-

Foi doce o momento
mas amarga a lembrança
entre os olhos
o golpe certeiro
estrelas no firmamento dos meus olhos
doeu mas foi bonito


eros e afrodite se encontravam
(ou dois outros deuses, não importa)
então uma estrela surgiu
e como tudo que nasce
sumiu no horizonte
e mergulhou na noite que nascia
do outro lado do mundo







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