domingo, 24 de julho de 2016

Associação de idéias - A Sociedade das Viúvas Negras

A ideia é escrever um conto associando três conceitos aleatórios.
Neste primeiro exercício, associei três ideias sugeridas em uma página de internet. Logo em seguida, vou associar três ideias sugeridas pelos leitores.

Os conceitos são os seguintes :
Medo de aranhas; Um estranho com aspectos sinistro; um anel desaparecido.

Parte 1 - Morte e Funeral
Nem sempre tive medo de aranhas. Isso começou há muito tempo quando entrei certo dia na cozinha para assaltar a geladeira ou beber água e a vi, gigantesca, espalhando todas as suas mil peludas patas por toda a parede e seus mil olhos por todas as direções que poderia apontar uma rosa dos ventos. Anos depois, para solidificar essa minha aracnofobia, assisti ao filme de mesmo nome e fiquei perturbado e insone por muitas noites.
Hoje, estou aqui no meu escritório e exercendo essa minha atividade de detive, que é esperar um novo caso, na maior parte as vezes, e resolvê-los o restante do tempo, e, enquanto espero, vou  relembrando e tomando notas a respeito dos últimos casos resolvidos, e, porque não confessar, daqueles poucos, que não são tão poucos assim, que jamais consegui chegar perto da solução.
Um deles, este que agora descrevo, aconteceu completamente por acaso, ao contrário dos demais.
Pois estava eu, a rua, fazendo qualquer coisa, ou me deslocando para algum lugar, não me lembro bem, quando me chamou a atenção naquele homem, vestido de terno preto, pois este tinha um anel cuja pedra, transparente, continha inerte uma pegajosa e peçonhenta aranha.
De repente, não é que o sujeito cai mortinho da silva, espalhando seu enorme e obeso corpanzil pela calçada, assim como a mão, espalhando os dedos envolvido um dos quais pelo tal anel e a tal aranha a qual me referi.
Por mais repulsa que me causasse a aranha, não poderia deixar de ajudar o sujeito, chamando imediatamente a emergência, ainda que tivesse sido tarde, pois ele sofrera uma apoplexia fatal e instantânea.
Não sei porque cargas d´água, provavelmente por causa do misterioso anel e seu estranho habitante, acabei fazendo contato com a família e compareci tanto ao velório como o funeral.
O funeral aconteceu no dia seguinte, um dia cinzento lastimado pelo vento e chorado pela chuva, tal como se os elementos estivessem também entristecidos com o lúgubre evento.
Antes do féretro, quando ainda estava aberto o caixão foi que dei pelo sumiço do anel. Tinha certeza de ter visto o anel no dedo do morto durante o velório, mas agora, percebia que não estava mais lá.
Curioso que sou, como todo bom detetive deve ser, e olha que minha modéstia não me impede de me incluir entre os tais, olhei entre os presentes e reparei que um pouco mais distante, como se estivesse por acaso acompanhando o enterro, um sujeito bastante estranho que parecia querer passar despercebido de todos portava em seu dedo um anel em tudo idêntico ao anel desaparecido. O .anel brilhava intensamente, mostrando sua unicidade para o universo. Não poderia ser outro, apesar de a igualdade ser coisa dificil de determinar, acho que este era um caso meio óbvio.

Parte 2 - A perseguição

Logo após o enterro, o estranho se retirou e eu, mais que depressa, o segui, pois sabia que ali estava um caso bastante misterioso e o mistério é a coisa que mais me atrai desde a mais tenra idade. Eu sempre gostei de assistir filmes e ler romances de mistério. Meu diretor favorito  : Hitchcock. Meus escritores favoritos : Poe, Conan Doyle e Agatha Christie. Meu sonho : ser o Dupin, um Sherlock Holmes ou um Hercule Poirot, sem deixar de citar Miss Marple, para não me taxarem de sexista.
Como dizia, ele pegou um taxi e eu peguei outro, logo a seguir. Para o motorista o tradicional, "siga aquele carro!"
Os taxis foram andando e cada vez se avizanhavam das cercanias da cidade, até ultrapassá-las e seguir para as bandas rurais, uma estrada bastante isolada e por mim desconhecida. De repente, um longo muro margeando a estrada e, logo mais, um grande e majestoso portão.
O taxi parou e o outro taxi um pouco mais atrás. O sujeito estranho saiu, pagou a conta e adentrou a propriedade. Eu o segui pulando o muro e fui seguindo até as paredes do casarão. O sujeito foi margeando a casa e dobrou uma de suas quinas. Eu virei logo em seguida, mas o sujeito havia desaparecido.

Uma imensa parede de um lado, do outro, uma imensa planície. Não podia ter escalado a lisa e vertical parede sem janelas, nem corrido até sumir no horizonte em tão pouco tempo. Só podia haver uma entrada secreta. Procurei cautelosamente pela parede e pelo chão, até que encontrei uma argola de ferro e esta argola presa a um alçapão. Abri o alçapão e entrei. 


Parte 3 - A sociedade das Viúvas Negras

Longa queda se seguiu. Através de um tubo. Talvez não fosse tão longa, mas foi esta a minha impressão. Quando cheguei ao chão, vi que estava em uma ante-sala. Ao lado, um armário continha vestimentas estranhas, com capuz tipo aqueles da ku-klux-klan. As vestimentas eram negras e na região do peitoral tinham um círculo com uma aranha no centro. Havia uma porta ao final do corredor. A um canto, uma enorme arca repousava. Foi atrás desta que me escondi ao ouvir o barulho descendo pelo tubo, aquele mesmo ruido que ouvi durante a minha própria descida.
O cara foi e pegou uma das vestimentas e começou a vesti-la. Nem percebeu eu chegando por trás e o acertando na cabeça com o meu cacetete, pois sempre trago um para estas horas. Vão me questionar pelo meu ato, mas fui movido pela certeza de que se tratava de assuntos obscuros e ilegais. Amarrei o cara, pois no meu kit detetive sempre trago corda também, o amordacei com um pedaço rasgado de sua camisa e o escondi atrás da arca. Coloquei a roupa e entrei pela porta que ficava ao final do corredor.
Lá dentro, várias pessoas vestidas com aquela mesma vestimenta se apinhavam em torno de um círculo, No centro do círculo, um bebe dormia tranquilamente dentro de um cesto. Todos possuíam também um anel de aranha igual aquele que tinha desaparecido do dedo do morto e aparecido no dedo do homem sinistro. Um deles, provavelmente o chefe, pois possuía em sua vestimenta uma aranha maior começou um discurso. As partes mais importantes que me lembro são aquelas em que, para o meu horror, descrevia a finalidade da Sociedade das Viúvas Negras e daquele ato. A finalidade da Sociedade das Viúvas Negras era vingar aqueles casais que haviam perdido seus bebês nos primeiros dias por maus tratos ou erros médicos. Ele se vingavam roubando crianças e as sacrificando. O princípio do ritual havia surgido da corrente de pensamento místico denominada Irracionalismo, criada na Panônia no século XVIII, Esta corrente, que era um culto místico que tinha por objetivo realizar o sofrimento que o fizera sofrer para purgar o sofrimento. A principal razão para fazer isso é a falta de lógica do ato, princípio básico do irracionalismo, criado por um tal de Ralpft Rolmster, antigo, curandeiro, místico e alquimista.
O que me deixava cabreiro era sujeito estranho e misterioso ter roubado o anel. Isso não fazia sentido, pois cada membro da Sociedade das Viúvas Negras tinha seu próprio anel. A única explicação plausível era que o sujeito não pertencia a Sociedade e era uma invasor tal como eu
A certa altura, quando o lider da seita empunhava uma faca para sacrificar o bebe, apareceu um cara a gritou : Tem algum invasor entre nós. Encontramos um dos nossos amarrado atrás da arca na ante-sala. Todos terão que retirar o capuz. Exatamente nesta hora, um dos encapuzados sacou uma arma e gritou : Policia, estão todos presos por assassinato de menores.
Era o sujeito estranho. Ele era policial e estava investigando a Sociedade. 
Exatamente nesta hora, um dos sujeitos se aproximou e ia atingir o policial por trás, mas eu o acertei com meu cacetete, que sempre trago comigo.
Assim, estava dissolvida e exterminada a Sociedade das Viúvas Negras e para sempre afastado o perigo que rondava suas pequenas e potenciais vítimas.
Mais um caso encerrado.

1 comentários:

Smareis disse...

Bastante suspense nesse conto. Gostei muito também. Esse detetive é muito bom. Resolve mesmo os casos. Bem curioso e esperto também. Acabou salvando o policial... Excelente conto. Eu tenho pavor a aranhas. Esse bicho é assustador. Eu assistia uma temporada a prova de tudo com Bear Grylls onde ele fazia churrasquinho de aranhas e morcego quando estava na selva. Muito louco ele.
Certa vez fui passar umas férias no sitio da minha família, e a noite estava todos sentados na varanda batendo papo, era lua cheia e aquela noite só a claridade da lua já era o suficiente... Tinha muitas plantas ao redor, casa de telha já viu né, parece que atrai aranhas. De repente uma aranha daquela peludona subindo em cima da rede ao meu lado. Nossa, não gosto nem de lembrar. Eu gritei muito. Pior foi a coceira, fiquei cheia de alergia rsrsrs.

Então é isso. Parabéns pra você, muito boa às histórias.

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