segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Uma verdade de luz tênue
de cor adocicada e branda
em mim agora brilha intensamente
pois o passado me ensinou
que o futuro pode ser meu
quando este for presente

(é que ele ainda não tem dono)

o passado é um longo apredizado
que no presente é a semente do futuro
mas entre eles há um grande muro
que impede que ele seja realizado

(este muro pode ser o sonho ou o sono)


pois descobri em minha vida um grande muro
intransponível, obscuro e impenetrável
pois qualquer coisa que se vive intensamente
é esquecimento e a transição fica intratável

pois me atirei nos seus braços com eternidade
sem resquícios de pudores ou cuidados
o ponteiro do tempo parou no esquecimento
o dia e noite agora estão paralisados

para mim o Sol nunca mais voltou a nascer
e, distraído, jamais voltou a se pôr novamente
a Lua tímida e escondida sob as nuvens lamentou
nunca ter sido assim tão feliz como a gente

foi assim que esqueci de todo meu passado
e das dores que lancinaram meus momentos
e agora estou para sempre neste hiato
sem futuras esperanças ou antigos lamentos

5 comentários:

A Itinerante - Neiva disse...

Benno,

Já li. Linda poesia. Depois tenho que ler com calma para comentar. Agora estou em um intervalinho. Já correndo neste início de ano.

Colocou fotinho, né? Uauuuu!!!! :DDDD

A Itinerante - Neiva disse...

Benno,

Sei o que é viver algo tão intenso que tudo o que se segue posteriormente é pálido e tênue.

Não sei se é um muro possível de ser ultrapassado e talvez esteja neste limbo para sempre, mas talvez não e no futuro exista algo não melhor, não superior, mas diferente. Tão diferente que faça desaparecer a comparação e com isto desfaça o muro.

Ainda tenho esperanças. rsrs

Beijos

Índia disse...

Benno,

Imagino uma paixão que nos deixe completamente entregues. O que outrora era tão importante, já não interessa mais. A intensidade eh tão absoluta que pouco importa o que tiver por vir. Lindo seu poema.

Beijao.

Marina disse...

Quando um momento da nossa vida acaba, não tem como não agir como se o mundo tivesse acabado. Então a gente vive uma vida pós-momento até encontrar outro para viver.

Sempre há outro.
Abraço!

mariza disse...

Benno,

um belo poema, com a marca inconfundível de esperança triste ou conformismo em relação ao passado, presente e futuro.
você é um poeta sensível e traz para a sua poesia a vivência que tantos tentam escamotear.
gostei mucho.

beijo, querido

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