sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O tempo vai passando
escoando-se lentamente no passado
como nuvens que se dissolvem no horizonte
como gotas de chuva que secam e somem
ao tocar a aridez estilhaçada do solo
as horas são o passar da correnteza
que incerta
erra meandrando por toda extensão de uma planície erma
as badaladas dos carrilhões
que entristecidos anunciam a morte do tempo 
são as golfadas de um rio que se ri do oceano
e adentra, amarelando a vastidão azul de seu corpo
aonde vão estes momentos
tantos momentos
vãos instantes
que passam como se nada fossem ante nossos olhos
e se esvaem no escoar lento das horas?
que é o futuro senão o destino inerte do presente
senão o esquecer dos anos já vividos?
a excrescência lúgubre de uma morte anunciada?
deixo que o vento
varra lentamente o fundo dos vales enrugados do meu rosto
vales lentamente cavados pelos rios caudalosos deste meu viver
ele que me responda
com o leve farfalhar que faz ao se espraiar pelo balouçar das folhagens
Só resta uma pergunta a fazer. Uma não, duas...
Por que o tudo? Por que o nada?
Hei de ainda te responder.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Estive viajando e por isso não pude mais atualizar o blog.

Parei por um momento
para fitar teu semblante
e eis resumido todo tempo infinito
na duração de um instante
sem perceberes o quão me és urgente
sempre de mim tão distante e indiferente
nunca e jamais que no teu espelho te admires
estão circunscritos ao puro azul destas iris
os mistérios de que ninguém mais sabe
e até o que em si mesmo não se cabe

é que ali, neste exíguo e ínfimo espaço
o universo a ele próprio se resume
tudo em volta de ti se rarefaz, fica escasso
a tua volta só sombras ante teu farto lume


terça-feira, 26 de maio de 2015

Ouro
            e
                Prata
 
 

Quando o Sol rompe
com a sua luz o breu da noite
Seus fulgurantes raios
vêm iluminar a relva dourada
que cobre tua pele nua
E nua em pelo
ficas vestida
com este singular vestido de ouro
para encantar meus pensamentos
A noite vem
e com ela trocas teu vestido
Ainda nua
teu corpo macio se cobre
com a prata da luz da Lua
E teu vestido prateado
não preciso tirar para te amar novamente
É assim que te quero sempre
de dia vestida de ouro
de noite vestida de prata.