sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O tempo vai passando
escoando-se lentamente no passado
como nuvens que se dissolvem no horizonte
como gotas de chuva que secam e somem
ao tocar a aridez estilhaçada do solo
as horas são o passar da correnteza
que incerta
erra meandrando por toda extensão de uma planície erma
as badaladas dos carrilhões
que entristecidos anunciam a morte do tempo 
são as golfadas de um rio que se ri do oceano
e adentra, amarelando a vastidão azul de seu corpo
aonde vão estes momentos
tantos momentos
vãos instantes
que passam como se nada fossem ante nossos olhos
e se esvaem no escoar lento das horas?
que é o futuro senão o destino inerte do presente
senão o esquecer dos anos já vividos?
a excrescência lúgubre de uma morte anunciada?
deixo que o vento
varra lentamente o fundo dos vales enrugados do meu rosto
vales lentamente cavados pelos rios caudalosos deste meu viver
ele que me responda
com o leve farfalhar que faz ao se espraiar pelo balouçar das folhagens
Só resta uma pergunta a fazer. Uma não, duas...
Por que o tudo? Por que o nada?
Hei de ainda te responder.


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