domingo, 21 de dezembro de 2008

O que é ser selvagem ou ser civilizado?

Outro dia estava passando um documentário na TV sobre os selvagens das ilhas Papua-Guiné. São selvagens por viverem em estado natural na selva, mas são seres humanos tão valiosos quanto qualquer outro ser humano. Alguém comentou comigo que não entende como alguém pode viver em situação tão miserável e precáriA, mas para mim eles pareciam felizes, nenhum me pareceu deprimido ou preocupado com o futuro como a maioria de nós. Acho que eles estão perfeitamente adaptados ao ambiente por viverem nas mesmas condições há milhares e anos, enquanto que nós, ocidentais, estamos em um ambiente em constante transformação e por isso nunca estamos adaptados e jamais parecemos estar bem apesar de toda aparente abastança material.
Pensei em qual seria a opinião inversa, ou seja, o que pensariam de nós os selvagens se conhecessem como vivemos. Será que nos invejariam ou será que lhes pareceria intolerável nossa maneira de viver. Daí, lembrei de um texto que li durante um curso a respeito da opinião de um selvagem da ocenia que havia conhecido a europa. Neste texto, ele criticava a maneira como lidamos com o tempo, sempre reclamando que ele nos falta, mas que quando deles dispomos ficamos entediados sem saber o que fazer. O texto nos fazia refletir sobre esta maneira absolutamente tola e insensata de tratar o tempo. Realmente, o tempo é um dado da realidade, é absurdo que ele possa faltar ou sobrar, as coisas é que necessariamente devem caber dentro dele. Lembrei que o texto se referia ao europeu como papalagui, procurei na internete e encontrei este e ainda outros textos do mesmo selvagem das ilhas Samoa. O texto foi compilado por um missionário a partir dos relatos do selvagem para seus conterrâneos. O selvagem não desejava que os europeus soubessem sua opinão, mas queria alertar aos seus sobre o perigo de cair na bonita conversa dos ocidentais.. Os outros textos falam de muitos outros aspectos da vida os ocidentais, sua relação com o ambiente, o excessivo materialismo, a vaidade e outros problemas que vivemos diariamente vistos pela ótica de uma pessoa apresentada recentemente a este estilo de vida como coisa inteiramente nova.
Obviamente, é impensável querer adotar o estilo de vida dos selvagens, tão arraigada que estão tantas coisas em nossas vidas, mas uma leitura nestes bonitos textos, cheios de inteligente crítica e sabedoria, nos leva cetamente a uma severa crítica de alguns valores que nos parecem tão importantes, mas que na verdade são pequenos.
O endereço do site onde encontrei os textos é :

O Papalagui

Na verdade, sempre devemos buscar mais de uma opinião sobre as coisas e compará-las sem nunca levar em conta o que alguém diz sobre si mesmo, por isso acho interessante este leitura. Por outro lado, não acredito em pessoas de um livro só.

2 comentários:

Neiva disse...

Benno,

Fui lá ver. Muito interessante as descrições que faz de nós. A do sutien é muito engraçada. rs

Mas nem precisa ir tão longe para ver o quanto nós e alguns de nossos hábitos são ridículos às vezes.

É que estamos acostumados, não temos opção ou as opções são muito difíceis de serem postas em prática e então vamos nos adaptando, mas que devemos ser completamente esquisitos vistos por outros olhos, lá isto devemos.

Eu gostaria de ter muito dinheiro para viver como desejasse. Daria-me ao luxo de ser "excêntrica" e fazer apenas as coisas que fizessem sentido para mim.

Adorei o texto e a discussão do tempo.

Beijos

Neiva disse...

Benno,

Sobre o Tuiavi, você está coberto de razão no coment que fez na Itinerante. Pensei ter ido até o final, mas agora que li seu comentário, voltei e vi que abaixo tinha muito mais e até uma parte 2. rsrs

Lerei e depois comentarei então, mas sobre este final e sobre meu comentário de querer ter mais dinheiro para me dar ao luxo de ser excêntrica, infelizmente é o que ocorre: até mesmo para viver sem dinheiro é necessário ter dinheiro. Viver fora dos parâmetros de nossa sociedade (como, p.e., em uma cabana na praia ou em um local deserto) é um luxo que apenas endinheirados podem se dar.

Obviamente é um contrasenso de nossa sociedade e se vivesse em uma como a de Tuiavi também desprezaria dinheiro.

É um pensamento utópico e um tanto quanto idealista que não encontra bases reais em nossa sociedade e nem poderia, mas o que seria da vida sem as utopias e ideais, não é mesmo? :D

Beijos

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