segunda-feira, 8 de dezembro de 2008



ESPERANÇA


A duração breve de nossas vidas proíbe-nos de alimentar uma esperança longa. Os sonhos são distantes, mas a morte está próxima. As esperanças quando projetadas ao futuro inalcançável nos fazem menos esperançosos. As esperanças devem parecer realizáveis e seus frutos saborosos devem parecer estar ao alcance das mãos.

Os frutos nos galhos mais altos parecem mais apetitosos, mas a difícil escalada os amarga. Porém, mesmo nas circunstâncias mais adversas, não percamos a coragem. O que é impossível deve nos parecer facilmente alcançável assim como o que é fácil nos deve parecer difícil de alcançar.

A esperança é a única coisa que pode dar a energia necessária para vencer o invencível. Quando a esperança nos falta, de tudo desistimos e, assim, desistimos de nós mesmos. Abdicar das esperanças e dos sonhos é de certa forma morrer.
Por isto, guarde a esperança: só a esperança não abandona o homem mesmo na hora da morte. Sorte a nossa que a desavisada Pandora, alertada a tempo por Epimeteu, ainda conseguiu conservar na caixa de todos males a desesperança, deixando-nos ainda suportar os outros males que libertara.

Companheira eterna e musa inspiradora, a esperança é a única que fica quando tudo o mais nos abandona. Com quem contar quando, como em Jó, até os amigos nos tivessem abandonado? Eu contaria com estes meus derradeiros amigos: os sonhos. Um sonho é feito de esperança. Se ao menos tivesse Jó sonhado, talvez tivesse resitido à todas as suas inúmeras perdas.

Além disto, a esperança é veloz e voa com asas ligeiras. De reis faz deuses e, de seres menores, faz reis. Só ela faz brotarem os ídolos, os santos e os heróis do seio humilde da terra, pois eles são feitos do mesmo pó dos quais todos viemos, mas foram regados pela benção da mais extremada esperança. Quem chegou ao ápice da glória, o fez pois não deixou morrer os sonhos que o acompanhava desde a infância.

É a esperança que faz povoar a imaginação das crianças de fadas, princesas e cavaleiros. As crianças são os príncipes dos sonhos. Observá-los é aprender a sonhar e sonhar é ser um tanto menino. Que nunca morra o pouco de criança que há em mim.

É a esperança que, ao fervilhar nas mentes imaginosas dos escritores, faz nascer os grandes romances e os poemas mais belos. A poesia e as artes são os frutos mais tentadores da esperança e dos sonhos.

A esperança brota eternamente no peito do homem. É quase inumano não sonhar. E só deixar-se de ser para deixar de sonhar. Mas o ser humano nunca é, mas sempre espera ser feliz. Pois a felicidade, tal como existe na imaginação, é mais bela que a felicidade vivida. Quem ainda não se decepcionou com um sonho concretizado? Diga-me e te mostrarei alguém que não sonha.
Vivemos continuamente em esperanças, e quando alguma nos deixa e nos engana, logo nos deixamos nos enganar por outra. Não podemos viver sem o gostoso engano com que os sonhos nos alimentam. Parece um instinto inato no homem este de sempre viver esperando e a sonhar. Espera-se e se é feliz neste esperar. Se as esperanças nos abandonam, tudo fica triste e sem cor.

É a esperança de que tudo poderá vir a ser melhor que faz com que não abandonemos o barco mesmo quando a ventania o faz fremir e, entre rangidos de tábuas e suspiros, a nau ameaça sossobrar. Que seria de nós se passássemos a pensar que a forma que é o mundo, a luta selvagem em
que se transformou a sobrevivência, fosse a única forma do mundo existir?

É a esperança de que tudo poderá mudar, de que se a semente do amor germinar e o ódio não tiver forças para parasitá-la o mundo poderá vir a
ser melhor que nos faz perseverar e continuar vivendo. A esperança não morre, pois parece claro que tudo está ao alcance das mãos dos homens. Ela é a ponte entre o impossível e o possível. Basta aos homens perceberem que o mundo melhor para todos é melhor para si próprios para começarem a construir esta ponte. A esperança e o sonho são a semente da luta incançável.

A esperança está sempre ao nosso lado. A esperança é que nos introduz na vida. Acalenta o bebê choroso e envolve o menino alegre. Seu brilho mágico entusiasma o moço e não é enterrada com o ancião, pois quando este encerra, cansado, a corrida, planta ainda a esperança sobre o túmulo e ainda faz germinar, da degeneração de suas células, uma flor. Não a abandonemos como não abandonamos a amada que não deixa nunca de estar ao nosso lado, seja na glória, seja no desespero.

Já vi flores nascerem em lugares pedregosos e as coisas mais gentis nascerem das mãos de pessoas de feio rosto, e, ainda, a taça de ouro conquistada pelo pior cavalo nas corridas. Por isto eu ainda tenho esperança. A esperança dos homens é sua razão de viver e morrer.
Só ela pode nos mover na direção da vida e do bem.

5 comentários:

mariza disse...

a esperança move a gente, né? redimensiona nossa maneira de enxergar o mundo, que às vezes magoa tanto.
adorei o texto e o poema do outro post.
beijo, querido

Neiva disse...

Benno,

Eu amei seu texto!!!

Nunca que vou tirar de meu blog. Faça isto sempre que desejar, por favor.

Desculpe-me. O dia hoje foi uma correria e só agora pude ler e responder lá e vir aqui.

Parece-me que o texto aqui é maior e mais completo, mas não posso ler agora. Volto depois para saborear com toda calma do mundo.

Beijo!

Neiva disse...

Ah, o banner ficou muito grande para o template. Amanhã te enviarei outro com tamanho correto e aproveito para comentar o que faltou, ok? :D

mariza disse...

ah, esqueci de dizer que guardei o template anterior no outro micro. manda a senha que eu recoloco.
beijo

mariza disse...

alarme falso. infelizmente as imagens se perderam, então, o template já não tem serventia.
numa próxima ocasião, quem sabe? quando você decidir permanecer tempo suficiente para merecer um template adequado... sorry, pensei realmente que estava por aqui.

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