quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tenho medo do medo
e medo de dizer que tenho medo
tenho medo de quem tem medo
e medo de quem faz medo
pois o medo
me impede de ser livre
em suma
me impede de viver
ter medo é de certa forma morrer
não confunda entretanto
o medo e a prudência
com não se deve confundir
a coragem e a imprudência
desde cedo aprendi
que para ter coragem
foi preciso antes ter medo
sem medo não há coragem
sem medo não há nem aragem
de um novo tempo de se viver
medo não é uma coisa
que não se tenha
medo é uma coisa
que se supera
submisso ao medo
eis alguém agrilhoado sem grilhões
basta-me sentir a coragem
a insuflar minhas veias
o sangue a meus pensamentos somado
para que meu sangue ebula
e estes jamais sejam tomados
disse-me o professor de filosofia
que os gladiadores se dirigiam
a morte cantando
pois eram escravos no corpo
mas livres no espírito
não tinham medo algum
                                     e alegres diziam :
Ave César, os que vão morrem te saúdam
e não temem o que lhes destina a sorte 
é que para não se ter medo de nada
é preciso perder o medo da morte

1 comentários:

Vanuza Pantaleão disse...

Medos, medos, medos, tantas espécies há desses monstros que crescem silenciosamente lá bem no fundo da alma humana.
Mas há também a perda do medo. Há pouco falei que só escrevo mais livremente no escuro e, no entanto, fui uma menina com um tenebroso medo da escuridão física. Perdi-o com o tempo, mas outros tantos terrores ocuparam o lugar vago. Complexo falar sobre o que desconhecemos, mas assim mesmo falamos.
Muitas reflexões ainda faria...
Mas me vou agora.
Um bom feriado, amigo!Bjsss

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