sexta-feira, 16 de maio de 2014

Nasceu no bosque uma pequena flor. Pétalas singelas, cores suaves como nenhum pintor jamais seria capaz de combinar, em perfeita harmonia com a paisagem que lhe cerca. Escondida sob as gramíneas e distante dos olhares, dela ninguém se dá conta, pois germinou longe do caminho dos homens. Mas ela, por sua vez, também não se dá conta de quem vai pela estrada. Ela não precisa de olhares. Ela se basta. Lhe basta o simples amor de uma errante abelha que atrevida roube seu néctar e leve seu pólen a outras paragens ou de fugaz beija-flor que dela se enamore. Talvez se vá em breve, pois uma flor dura pouco, sem que jamais tenha sido vista. Mas, que lhe importa ter sido esquecida?

Assim é também o destino do verso que nunca foi publicado. Nasceu na alma do poeta apaixonado para traduzir seu sentimento único e morreu em seu esquecimento. Parece triste, mas na verdade o verso, quando iluminado pela verdade do sentimento, basta em si por sua luz, assim como a flor que desabrocha isolada dos olhares e desaparece sob as folhas secas do campo.

Os olhares são apenas intrusos.

2 comentários:

ᄊム尺goん disse...

.... no entanto, a pele é lugar de tantas alegrias.

viver o real....isso nao tem preço.



[gostei da ilustração]


bj
beijo




Vanuza Pantaleão disse...

Quantas raras e pequeninas flores eu surpreendi sendo polinizadas? Mas as respeitei na sua intimidade. Abelhas, pássaros e flores têm uma relação de dança e prazer que vão além da poesia e a própria ciência já se sente e obrigada a reconhecer.
Belos momentos passei aqui, Benno. Obrigada! Posso voltar? Será que estou me excedendo no teu universo poético? Abraço!

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