terça-feira, 20 de maio de 2014

duas fontes haviam
onde agora já não flui o tempo
duas horas se passaram
e o mundo girou sobre si mesmo
num rodopio estonteante
duas setas encravadas em meu peito
formaram duas amplas e largas feridas

ah! o que faz um olhar
quando atravessa o ar e brilha em um outro


jaz meu corpo, agora insensato
no torpor de vinte anos passados
fez de mim o tempo
o que fez das encostas com o vento
erodindo com as suas ondas a costeira 
com rajadas a tempestade ainda me assola
freme a vida restante em veias entupidas
a dor do passar do tempo
é lancinante, certeira e comprida
só a lembrança do teu olhar
é o que ainda me consola
se em teu coração já passei
no meu coração ainda és viva

2 comentários:

ᄊム尺goん disse...

[no meio de tudo, um pouco,
quase nada, quase antes,
quase sempre amor ]

beijo

Vanuza Pantaleão disse...

O tempo, impiedoso e temperamental diverte-se conosco, ele é um deus que os mortais não ousam desafiar.
Ficou apenas o brilho de um olhar. Seria o suficiente? Talvez, talvez...
[continuo o meu passeio matinal]

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