Dalva era solteira. Já com trinta anos, nunca fora atraente. Isso não a impedia de sonhar os beijos ardentes e úmidos de um príncipe encantador qualquer que por acaso lhe aparecesse.
Ronildo era um inveterado assassino de mulheres solteironas. Ele se aproximava especialmente das solteironas sem encanto e se aproveitava de sua fragilidade, jogando sua irresistível boa conversa e as envolvendo com facilidade.
Cada um vivera sua vida de forma apartada.
Pois não é que Ronildo entrou na vida de Dalva, para a infelicidade de ambos.
Ela nem bebia, mas certa noite, não se sabe muito bem porque, mas, enfim, essas são coisas do destino, este falastrão cômico e brincalhão pois vive nos aplicando peças, resolveu tomar uma cervejinha no bar.
Quem dera tivesse sido só uma, mas uma primeira cerveja chama uma segunda e esta uma terceira e eis que resta o coração desprotegido e, então, as já frágeis resistências se afrouxam.
Acompanhando, com olhos ávidos e gananciosos, Ronildo já urdia seu plano sinistro.
Quando os olhos de Dalva passearam, distraídos, sobre os seus, ele sorriu seu melhor e mais sedutor sorriso e piscou levemente um dos olhos. Ela, bastante desacostumada a ser alvo de paqueras, logo se encantou. Não era para menos. Ronildo era bonito e simpático, seu olhos transmitiam infinita segurança de si mesmos, um indício perigoso, mas extremamente sedutores às mulheres, ainda mais quando estão carentes.
Começaram a conversar e, em pouco tempo, pareciam se conhecer há muito tempo. Ficaram logo íntimos, amigos e não demorou muito para Dalva estar caidinha de amores pelo seu nefasto namorado.
Começaram a se encontrar regularmente e, enfim, chegou o dia do casório. Ela tinha suas posses, um renda garantida, além de trabalhar como professora de História na universidade. Além do apartamento, ela possuía quatro lotes de terreno no subúrbio e uma chácara na região serrana, frutos de uma herança.
Não havia passado um mês e ela começou a desconfiar. Em especial de sua atividade. Ele dizia ser representante de aparelhos para surdez. Mas ela nunca viu ele abrir sua valise, sempre trancada. O que ele fazia o dia todo? - perguntava-se Dalva. Ele dizia visitar médicos fonoaudiólogos, fazer apresentações do funcionamento dos aparelhos, dar manutenção nos aparelhos. Haviam poucos fonoaudiólogos na cidade e ela nunca o viu receber nada pelo correio. Estranho, muito estranho.
Um dia, ela aproveitou uma de suas muitas ausências e resolveu procurar a polícia.
Detetive Leverton é experiente e tem renome. Já foram vários casos por ele deslindados. Dentro os quais o célebre caso da testemunha arrependida que recentemente ocupou as manchetes dos jornais Ele ficou encarregado de saber mais sobre Ronildo. Com a foto e o nome ele enviou consultas aos banco de dados das mais diversas delegacias, estendendo sua consulta a uma área de vasta abrangência.
Enquanto isso, Ronildo planejava o "acidente" do qual Dalva seria vítima. Fora com acidentes forjados que se livrara das mais de dez esposas que já tivera Nenhuma delas sequer desconfiara de Ronildo o que facilitou bastante os seus planos. Uma delas caiu da escada, outra foi eletrocutada, outra ainda caiu do décimo andar de um prédio tentando limpar uma mancha do lado de fora da janela. O acidente de carro forjado foi outra alternativa utilizada. Mas, dessa vez, pois ele gostava de variar para não criar um padrão que pudesse ser rastreado, ele queria utilizar o artificio da sufocação por esgasgamento. A idéia seria pegar ela de surpresa e causar o sufocamento com um travesseiro e depois emular o engasgue introduzindo um pedaço de alimento em sua traquéia.
Enquanto isso, o detetive Leverton recebia informações sobre o suspeito. Ele havia se envolvido em mais de um caso com a policia. Fotos mostravam que era a mesma pessoa, mas com identidades variadas. Temendo por Dalva, o detetive contactou policiais para deterem o sujeito. A força policial chegou a casa de Dalva, pouco tempo depois de sua morte, mas a tempo de prender o finório, que desta vez se deu mal.
Foi assim que do encontro fez o desencontro, que da junção dos corpos e das intenções opostas partiram as almas cada qual para o seu lado.
Ora, não fique triste. Nem sempre as histórias acabam bem. Esta acabou meio mal e meio bem, e, portanto, não tão mal assim.
domingo, 3 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
O que é a inteligência? Dizem alguns que seria uma grande capacidade de memorizar. Dizem outros que a capacidade de raciocinar e resolver complicados problemas matemáticos. Mas, na verdade, a inteligência é a capacidade de se adaptar a qualquer situação de maneira a realizar o máximo possível de felicidade em si e nos outros. E há tantos gênios que foram infelizes.
Leituras :
Tenho buscado listas de melhores livros de todos os tempos e tentado ler o máximo possível. "Non multa sed multum," ditado latino que significa que não se deve ler muitas coisas, mas ler coisas muito importantes. As listas variam bastante, esta aqui é um exemplo até certo ponto muito bom, mas todas elas pecam de um ou outra forma, talvez até porque seria impossível relacionar adequadamente tudo que há de melhor. Mas, parte dos livros quase sempre aparece entre os melhores.
Nesta abaixo, boa parte aparece na maior parte das listas, mas faltam alguns que quase sempre aparecem no topo, tais como O Estrangeiro de Albert Camus que li recentemente, assim como Adeus às armas de Hemingway e Laraja Mecânica de Anthony Burgees, ambos também recentmente lidos. Estou lendo o Ulysses de James Joyce bastante difícil de digerir ao contrário de outros desta lista.
1 . In Search of Lost Time by Marcel Proust
Tenho o livro mas ainda não li.
2 . Ulysses by James Joyce
Estou lendo
3 . Don Quixote by Miguel de Cervantes
Li
4 . Moby Dick by Herman Melville
Li
5 . Hamlet by William Shakespeare
Li
6 . War and Peace by Leo Tolstoy
Li
7 . The Odyssey by Homer
Li apenas uma adaptação
8 . The Great Gatsby by F. Scott Fitzgerald
Li
9 . The Divine Comedy by Dante Alighieri
Li O inferno e O purgatório, mas não li o Paraíso
10 . Madame Bovary by Gustave Flaubert
Li
11 . The Brothers Karamazov by Fyodor Dostoyevsky
Li
12 . One Hundred Years of Solitude by Gabriel Garcia Marquez
Li
13 . The Adventures of Huckleberry Finn by Mark Twain
Li
14 . The Iliad by Homer
Li uma adaptação
15 . Lolita by Vladimir Nabokov
Não
16 . Anna Karenina by Leo Tolstoy
Li
17 . Crime and Punishment by Fyodor Dostoyevsky
Li
18 . Alice's Adventures in Wonderland by Lewis Carroll
Não
19 . The Sound and the Fury by William Faulkner
Não
20 . Pride and Prejudice by Jane Austen
Li
Pretendo completar esta lista (faltam apenas 5) e continuar com o restante da lista até 40.
Minhas leituras mais recentes :
1889 - Laurentino Gomes; O irmão alemão - Chico Buarque de Holanda; Escuridão Total sem Estrelas - Stephen King; Adeus ás armas - Heminghway; O estrangeiro - Albert Camus; A guerra do fim do mundo - Vargas Llosa; Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert; A estepe - Anton Tchekhov;
Leituras atuais - Ulysses - James Joyce, Desespero - Stephen King;
Próximas leituras - Em busca do tempo perdido, Marcel Proust; Os Buddenbrooks - Thomas Mann.
-x-
Lá se vão os últimos silfos de uma derradeira sinfonia. Tolo arquiteto, indireto diapasão. O que nasce, um dia morre, disse um senhor pessimista, mas só pode morrer o que ainda vive, responde a senhorita cheia de vida. Vou colocando uma letra atrás da outra, procurando que se produza algum sentido, mas mas o temor contém a mão que treme, enquanto arfa e freme o peito. Admetus preferiu a vida do que o amor incondicional de Alceste, porém Medéia preferiu a morte dos filhos do que perda do amor de Jasão.
Cada dia que passa eu tenho mais certeza de que tudo se resume a uma grande dúvida. Os que tem certeza não passam de tolos. A dadivosa mãe do conhecimento sempre foi a Humildade. Por isso, luto e aguardo ansioso a derrota final dos arrogantes.
Leituras :
Tenho buscado listas de melhores livros de todos os tempos e tentado ler o máximo possível. "Non multa sed multum," ditado latino que significa que não se deve ler muitas coisas, mas ler coisas muito importantes. As listas variam bastante, esta aqui é um exemplo até certo ponto muito bom, mas todas elas pecam de um ou outra forma, talvez até porque seria impossível relacionar adequadamente tudo que há de melhor. Mas, parte dos livros quase sempre aparece entre os melhores.
Nesta abaixo, boa parte aparece na maior parte das listas, mas faltam alguns que quase sempre aparecem no topo, tais como O Estrangeiro de Albert Camus que li recentemente, assim como Adeus às armas de Hemingway e Laraja Mecânica de Anthony Burgees, ambos também recentmente lidos. Estou lendo o Ulysses de James Joyce bastante difícil de digerir ao contrário de outros desta lista.
1 . In Search of Lost Time by Marcel Proust
Tenho o livro mas ainda não li.
2 . Ulysses by James Joyce
Estou lendo
3 . Don Quixote by Miguel de Cervantes
Li
4 . Moby Dick by Herman Melville
Li
5 . Hamlet by William Shakespeare
Li
6 . War and Peace by Leo Tolstoy
Li
7 . The Odyssey by Homer
Li apenas uma adaptação
8 . The Great Gatsby by F. Scott Fitzgerald
Li
9 . The Divine Comedy by Dante Alighieri
Li O inferno e O purgatório, mas não li o Paraíso
10 . Madame Bovary by Gustave Flaubert
Li
11 . The Brothers Karamazov by Fyodor Dostoyevsky
Li
12 . One Hundred Years of Solitude by Gabriel Garcia Marquez
Li
13 . The Adventures of Huckleberry Finn by Mark Twain
Li
14 . The Iliad by Homer
Li uma adaptação
15 . Lolita by Vladimir Nabokov
Não
16 . Anna Karenina by Leo Tolstoy
Li
17 . Crime and Punishment by Fyodor Dostoyevsky
Li
18 . Alice's Adventures in Wonderland by Lewis Carroll
Não
19 . The Sound and the Fury by William Faulkner
Não
20 . Pride and Prejudice by Jane Austen
Li
Pretendo completar esta lista (faltam apenas 5) e continuar com o restante da lista até 40.
Minhas leituras mais recentes :
1889 - Laurentino Gomes; O irmão alemão - Chico Buarque de Holanda; Escuridão Total sem Estrelas - Stephen King; Adeus ás armas - Heminghway; O estrangeiro - Albert Camus; A guerra do fim do mundo - Vargas Llosa; Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert; A estepe - Anton Tchekhov;
Leituras atuais - Ulysses - James Joyce, Desespero - Stephen King;
Próximas leituras - Em busca do tempo perdido, Marcel Proust; Os Buddenbrooks - Thomas Mann.
-x-
Lá se vão os últimos silfos de uma derradeira sinfonia. Tolo arquiteto, indireto diapasão. O que nasce, um dia morre, disse um senhor pessimista, mas só pode morrer o que ainda vive, responde a senhorita cheia de vida. Vou colocando uma letra atrás da outra, procurando que se produza algum sentido, mas mas o temor contém a mão que treme, enquanto arfa e freme o peito. Admetus preferiu a vida do que o amor incondicional de Alceste, porém Medéia preferiu a morte dos filhos do que perda do amor de Jasão.
Cada dia que passa eu tenho mais certeza de que tudo se resume a uma grande dúvida. Os que tem certeza não passam de tolos. A dadivosa mãe do conhecimento sempre foi a Humildade. Por isso, luto e aguardo ansioso a derrota final dos arrogantes.
sábado, 25 de junho de 2016
Resta um de meus anos. Transformá-lo em cem ou em mil é o que me resta.
-x-
Cheira a flor o sabor de vida. A abelha traduz esperança, a criança que ainda há de mim.
E percebo a crista escarpada da serra, onde os ventos se encontram e conversam em mútuos pés-de-ouvido. De deleite em deleite, sigo através do dia, em cada canto um surpresa, em cada surpresa um momento escondido. Ora é a ave que rasante do mar se aproxima, ora é a nuvem fugaz das horas que ensombra o Sol por instantes. Tão lépida a ave e vasto o Sol, tão tênue a nuvem ante a escandalosa luz solar. Ao findar o dia, em um explosão colorida que, aos poucos, se transmuta em vinho e escuridão, eis que a noite nos traz novidades A água da chuva, pois a água é vida e a vida é a água. Antes as gotas foram um rio, um lago ou o mar, depois vapor, neblina ou nuvem, eis que agora retornam ao relento calmo de seu original elemento : o seio escuro e frio da terra. Hei de esperar, insone, as estrelas se libertarem e rodarem estonteadas pelo breu profundo e azulado do zênite, até o a alvorada desponte e tudo recomece em seu eterno ciclo.
-x-
Dela escapei, mas fez a volta pelo outro lado da quadra e me reencontrou na esquina. Só o mistério é que vem depois. Se é a escuridão ou luz, quem me dirá?
-x-
Amei-te como um louco, esqueci e depois recomecei a te amar, agora mais brando, mais calmo e maduro, nos céus etéreos da memória.
-x-
Cheira a flor o sabor de vida. A abelha traduz esperança, a criança que ainda há de mim.
E percebo a crista escarpada da serra, onde os ventos se encontram e conversam em mútuos pés-de-ouvido. De deleite em deleite, sigo através do dia, em cada canto um surpresa, em cada surpresa um momento escondido. Ora é a ave que rasante do mar se aproxima, ora é a nuvem fugaz das horas que ensombra o Sol por instantes. Tão lépida a ave e vasto o Sol, tão tênue a nuvem ante a escandalosa luz solar. Ao findar o dia, em um explosão colorida que, aos poucos, se transmuta em vinho e escuridão, eis que a noite nos traz novidades A água da chuva, pois a água é vida e a vida é a água. Antes as gotas foram um rio, um lago ou o mar, depois vapor, neblina ou nuvem, eis que agora retornam ao relento calmo de seu original elemento : o seio escuro e frio da terra. Hei de esperar, insone, as estrelas se libertarem e rodarem estonteadas pelo breu profundo e azulado do zênite, até o a alvorada desponte e tudo recomece em seu eterno ciclo.
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Dela escapei, mas fez a volta pelo outro lado da quadra e me reencontrou na esquina. Só o mistério é que vem depois. Se é a escuridão ou luz, quem me dirá?
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Amei-te como um louco, esqueci e depois recomecei a te amar, agora mais brando, mais calmo e maduro, nos céus etéreos da memória.
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