
ninguém leu
o poema de despedida
pois o poeta
jazia desconhecido
(foi o mesmo destino que teve
o seu poema de estréia)
ninguém ouviu
a canção
que falava de saudade
pois o compositor
já fora esquecido
(a voz dele embargada
por um nó apertado na traquéia)
ninguém rezou
na missa de sétimo dia
pois o morto morrera
antes mesmo de morrer
(nem um suspiro ou lágrima
nem mesmo uma única vela)
entre tantas coisas que florescem
há o destino bem triste
das coisas que morrem
antes mesmo de nascer
coisas que nunca existiram de fato
e nem perceberam não ter existido
coisas que passam pela gente
como um rumor que se confunde
com os sons que a gente não percebe
o canto dos grilos, o farfalhar do vento
a crepitar das folhas que se vão pisando
impiedosamente pelo caminho
pois há algumas frutas que germinam podres
e flores que desabrocham sem pétalas
elas nem precisam do castigo
do inevitável escoar dos tempos
para definharem e se perderem
será que eu sou assim?
será que alguém gosta de mim?
ou minhas palavras sibilam no vento
e se perdem para sempre
sem eco ou resposta?
que adianta eu gritar
se ninguém me ouve?
a solução para este me problema
está no eco dos desfiladeiros!
lá é só dizer o que se quer
e ouvir uma voz bem distante
repetir sempre a mesma coisa
que a gente disse
e fingir tolamente
que é outro alguém
que concorda com a gente
o poema de despedida
pois o poeta
jazia desconhecido
(foi o mesmo destino que teve
o seu poema de estréia)
ninguém ouviu
a canção
que falava de saudade
pois o compositor
já fora esquecido
(a voz dele embargada
por um nó apertado na traquéia)
ninguém rezou
na missa de sétimo dia
pois o morto morrera
antes mesmo de morrer
(nem um suspiro ou lágrima
nem mesmo uma única vela)
entre tantas coisas que florescem
há o destino bem triste
das coisas que morrem
antes mesmo de nascer
coisas que nunca existiram de fato
e nem perceberam não ter existido
coisas que passam pela gente
como um rumor que se confunde
com os sons que a gente não percebe
o canto dos grilos, o farfalhar do vento
a crepitar das folhas que se vão pisando
impiedosamente pelo caminho
pois há algumas frutas que germinam podres
e flores que desabrocham sem pétalas
elas nem precisam do castigo
do inevitável escoar dos tempos
para definharem e se perderem
será que eu sou assim?
será que alguém gosta de mim?
ou minhas palavras sibilam no vento
e se perdem para sempre
sem eco ou resposta?
que adianta eu gritar
se ninguém me ouve?
a solução para este me problema
está no eco dos desfiladeiros!
lá é só dizer o que se quer
e ouvir uma voz bem distante
repetir sempre a mesma coisa
que a gente disse
e fingir tolamente
que é outro alguém
que concorda com a gente