segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Weeping nude - Edward Munch


imagino teu pranto
imagem que é-me feita
na espreita
de anos tantos
meus dedos largos
em tua fenda estreita
à força de um carinho
alargavam o caminho
desbravando tuas matas
(pensava eu então
-"no aperto delas
ainda me matas")
distante meu ninho
este estranho vinho
adocicado e carente
que brotava inocente
pelas vertentes
de tuas estranhas
e profundas entranhas
entre os gemidos mais vagos
agora liquefazem-se
meus desejos em lagos
e os roucos cantos
de esmaecidos encantos
nos músculos rijos das tuas coxas
de meus apertos ainda tão roxas
e que ainda me expulsam e afagam
depois derretem-se e alagam
este é um passado que não me deixa
esta lembrança que agora é uma queixa
és agora, imagino,
de outro qualquer a nova gueixa
esta imagem é a que rumino
quisera-te antes sozinha
chorosa no orvalho sereno
da tua boca carmim
do que teres cravado em teu seio
um outro qualquer ao invés de mim

Benno Assmann

4 comentários:

Ava disse...

Forte e belo!

As palavras como que criam vida própria, passando sentimentos avassaladoramente...


Bjs

Poeta Revisitado disse...

"Outros Sobem para colher o doce beijo..." dificil arrogar o Ser em virtude do Ter. Um abraço... que belo conclave esse hein ;-) Saudações poéticas

Ava disse...

Saudades avassaladoras...

Beijos!

Ava disse...

HUMMM..

Aguardando próximo...

E mais Munch...rs

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