sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

 é tão mais fácil

(e mais gostoso)

se surpreender
do que buscar
uma inútil explicação

exultei ao ver teus olhos
mas não os soube o que significavam

derreti-me
em teu semblante
mas não soube determinar
a origem do fogo que ali ardia

uma aura de mistério
separa tua visão
do teu estulto comportamento

feliz sou enquanto fluo na correnteza da vida
totalmente infeliz entretanto
quando busco a direção e em vão tento nadar

teu seio ereto me aponta e provoca
mas corres na oposta direção

só me resta fugir
errar de novo
(como tantas vezes errei)
e me perder em outros olhos
(como tantas vezes ousei)


como negar a poesia
que existe no leve voejar de uma borboleta
no bailado rodopiante de um folha ao vento
ou nas carícias que se fazem os amantes?

sem poesia não há vida
e não fora o colorido dos versos
bem áridas e descoloridas
(tristes também)
seriam as bibliotecas e as estantes

a poesia que nasce em mim
nasce como a relva que graceja nas planícies
sem pedir licença ou aplauso
se oferece sem saber de si

Diz-se
através a poesia
tudo que se desejava ter vivido
mas que entretanto não se viveu
daí serem tão perfeitos os amores
ou tão lendárias e diáfanas as fontes
(ou etéreas e distantes as musas)

como faunos ou quimeras
são os versos
por isso nunca ultrapassaram
os limites intransponíveis que separam
a realidade da imaginação

pois eu tenho esse poder
que há poucos é dado
de amar em silêncio
e falar bem baixinho
o que tenho a dizer
e o que grita me fere os ouvidos
não acredito no amor
que é berrado aos quatro ventos
mas aquele que murmura a brisa
que farfalha nas folhas
que broteja nas fontes
e germina nas sementes da vida

-x-
eis que vontade morre
mas como tudo que morre permanece e se renova
o Sol desaparece no horizonte
mas insiste e volta do outro lado
é esperar a manhã de todos os dias renascer
- nunca vi um céu nublado que depois não clareasse -


cidade nova, vida velha,
casa nova, sofá sofrido
chinelo surrado
E essa tontura que atrapalha as ideias
a velha TV sem brilho, sem som (ainda bem)
passando a mesma novela de sempre

voando, voando sempre
buscando as nuvens
mas é só céu que se acha
o céu é de azul belo
mas só as nuvens são máscaras
a, apesar da falta de cor, assumem formas várias
que você é?
a cor ou a forma?
Uma nuvem que vento vem, sopra e desfaz
ou o céu que permanece impávido e cerúleo
ante a implacável tempestade do fim dos dias?
se eu fosse esse que não fui, quem seria?
passaram-se os anos, mas ainda é sempre tempo



2 comentários:

Vanuza Pantaleão disse...

...e na correnteza da vida deixo-me arrastar por tua Poesia...uma musicalidade ouço quando te leio...escreva um livro, mande-me pelo correio [risos].
Mil abraços e carinhos, amigo querido!!!

Mila Noya disse...

É esperar amanhar todos os dias renascer...
....passaram-se os anos, mas ainda é sempre tempo!

"Tempo, tempo, tempo prá matar essa saudade. Perdoa-me.
Inspirar o amor, expirando liberdade"

:) *) :*

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