sexta-feira, 5 de novembro de 2010

duas vezes me perdi
em teu olhos dúbios
(o verde que verte
o azul fica na espera)

nas duas vezes que de ti
tirei por mim
em parte e inteira
a inverossímel quimera

me encontrei uma vez
no vale abismal
que se aprofunda
entre teus seios

ali então perdido
ou mesmo me encontrado
desvencilhar de ti
faltou-me meios

(a calma plácida
que dos cumes íngremes
as ígneas lavas
se enleva

um outro cume
que ereto
e embranquiçado
nele neva)

o rio caudaloso
do teu ventre
torrente indômita
levou meu corpo

nossos corpos
algozes mútuos
no entre si devoram
e se imploram

nossos fogos
ardentes se ateiam
o líquido farto
que jorra de mim
desincendeiam

sabe que em silêncio choro porém nunca reclamo
é que eu...
sabe, eu vinha ....
não é bem isso, é que...
eu queria...
desisto!
a verdade última é que não sei dizer quanto te amo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Átimo

Nunca passe um segundo
por nada neste mundo
a desnecessariamente sofrer

pelos golpes futuros
pela falta de seguro
ou com medo de morrer

pois cada segundo sofrendo
ou então se maldizendo
é um pedaço de ti a se perder

é uma gota esvaída
é a alma partida
um pouco de morte no teu viver



Versos para o verso

Lápis, caneta, teclado
os dedos tocam emocionados
olho de frente sem medos
com eles não tenho segredos

em seu meio sou puro verbo
livre sou em ti não sou servo
sou eu quem sou neste verso
está aí meu ser, meu universo

Se me alegro sou verso livre
meu peito se abre e sobrevive
se me entristeço palavras sombrias
fazem minhas estrofes tão frias

Meus versos mudam ao sabor de vento
ao sabor de mim e do meu intento
quando o amor renasce manhã colorida
surge o esplendor da flor mais sofrida

Mas se meu amor de mim se afasta
escrever amargamente me basta
nos versos verto a lágrima perene
o lápis da tristeza escreve infrene

Em seu seio busco soluções
extravasso todas minhas emoções
Verso, és incansável busca
que meu pensamento não ofusca

domingo, 17 de outubro de 2010

olha ela
como é bela
na janela
que dá
de frente pro meu jardim
entre tantas flores
só dá ela
rosa, gardênia
e jasmim
tantas cores
há em mim
e o sorriso
que em seu rosto
se parte
em mil sóis
coloridos lençóis
no parapeito
mil pingentes
que em seu peito
estilhaçam
corações ao chão