quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dia de Sol, depois de tanta chuva

Feliz daquele que, sempre distraído, passou pelos problemas da vida e superou-os sem mesmo ter percebido que eram problemas. Problemas nem mesmo existem : são só o nome com que denominamos certas situações que exigem alguma ação. Se não tiverem solução, nem problemas são. Os problemas não existem, bem me disse uma coruja que voava ao longe sem me dizer palavra. Foi no silêncio da existência que aprendi a deixar de lado o que me acabrunhava. 

O segredo estava em ser como o vento, que supera obstáculos, escala íngremes montanhas, mergulha como suicida nos mais elevados despenhadeiros, sem se perceber, sem mesmo saber aonde vai. O segredo é ser como a rosa, que desperta nas manhãs sem perguntar a hora ou notar que o pintor nela se inspira. É viver como se fosse um sonho, uma tênue e delicada fantasia, algo que oscila entre os extremos mais opostos sem saber-se meio, é vencer e ignorar os louros, é perder e se erguer de novo sem sentir o tombo. 

Delicio-me com o vôo sem sentido e cheio de rodeios de uma colorida borboleta sem me perguntar ao menos aonde vai assim com tão caprichoso vestido e, ao som do canto esquizofrênico das cigarras, vou dançando a dança da vida, aprendendo a não me perguntar tanto o porquê das coisas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Primeiro, eu aprendi a escrever.

E aí, fui me esmerando na arte da escrita, inventei mundos, fui deixando meu corpo, indo para o espaço, outros universos visitei.

E fui me encantando com as palavras e deixando de ser eu mesmo.

Me tornei arrogante, achando, tolamente, que, por possuir tantos mundos, eu era mais rico e mais feliz.

(ao mesmo tempo, o desespero tomava meu corpo, mas já não tinha consciência dele e não percebi)

Um dia, eu me lembrei do que eu era. E descobri, que o que eu era de verdade não era aquilo, aquele ser sonhador num mundo de sonhos, que eu era algo mais simples e verdadeiro do que minhas palavras. Descobri que as pequenas e desprezíveis emoções do meu dia a dia eram mais verdadeiras do que os arroubos românticos das histórias que eu inventava.

Daí, eu fui desaprendendo a escrever.

Primeiro, eliminei todos os verbos. E o mundo, que ainda existia, parou.

Depois, dispensei o nome das coisas. Tudo sumiu e o mundo acabou.

Depois, foi bem mais fácil eliminar os artigos, adjetivos, preposições pois estas e as demais palavras vivem em função daquelas.

E só restou o silêncio... e eu.