segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

1- O poeta o papel e a eternidade

o papel em branco
do poema
a eternidade separa

o papel em branco
da eternidade
o poema separa

a eternidade
do poema
o papel em branco separa

separam-se
poema e papel em branco
eternamente

eternos
papel e poema

transitório poeta


2- Sem Maquiagem

Exangue, pálida

e esquálida,

no atáude,

perdida saúde,

reluz a tez,

qual corpo branco

de vela,

extinta a chama,

que a lágrima de cera

percorre

pela última vez.

- 3 - 

verso
são asas
de luz
um ser alado e impávido
de almas devorador tão ávido

(um propulsor
de combustível sólido)

a Lua se aproxima
a cada rima
a visão de uma galáxia
redime
quando em meu peito a palavra
se comprime
mesmo que não seja
assim tão certo
com o verso o céu
fica de mim tão perto

- 4 -

o poema
não é um sibilo
        de uma sílaba

não é o sabor
        dos dizeres de um sábio
não é o torpor
que existe num sábado
nem a cor esquecida
no borrão de uma aquarela perdida

ele é uma espécie de mágica
veloz, retumbante e lépida 
e mesmo quando não tem
nem sentido e nem lógica
é o desejo escondido
de ser um segredo sagrado
a chave perdida de um divino mistério
a mistura do que é místico
com o conhecimento védico
é a verdade assim expressa
o sabor e o aroma de um expresso
a textura delicada de um linho
a delicia rubra de um vinho
a espessura tênue de um átimo
a expressão exagerada do que é ótimo

o poema é o que eu não disse
mas há no verso
a enigma mais indecifrável
do universo
o poema é o que eu não sei
mas que eu sinto
o poema é o que é
pois eu não minto

7 comentários:

mariza disse...

um poema mais lindo que o outro.
e o último, um metapoema maravilhoso, de tirar o fôlego, literalmente.
você continua insuperável, Benninho!
beijoca.

Paula Barros disse...

Nem tudo que se escreve é verdade, porém sempre acho que nos escapa alguma verdade.
E o poema ele nos denuncia de alguma forma.
beijo

LUZ disse...

Olá Senhor Engenheiro "OUSADINHO",

Os tempos eram outros.
Se fazia tudo por etapas, degraus, para que quando chegássemos ao topo, soubéssemos sentir toda a caminhada, com esforço e COM PRAZER.

Penso, que estes jovens não conseguem entender a beleza, de ter de lutar por algo, que muito se quer (parece, que já teho 60/70 anos).

DE BANDEJA, NÃO TEM GRAÇA.

O poeta, o papel e a eternidade é mais um daqueles escritos seus para reflectir, mas eu sou uma Mulher de Letras, de Sentimentos e de Humanidades.

Não gosto de raciocinar. Me explique porque 2 mais 2 são quatro, por favor.
Não gosto de Ciências Exactas. Gosto de sonhar, deambular e afagar as palavras e VOCÊ O FAZ MUITO BEM.

Os seus escritos reflectem o que lhe vai na mente, na alma. Você, sabe disso.

Espero, que seu Natal tenha sido em COMUNHÃO.

Beijos de luz.

LUZ disse...

Oi Benno,

As coisas, que você me ensina!!!!
E como eu aprendo bem!
Entendi todas as expressões, e acho bem que fizesse como o Pedro.
No final da semana sairá mais uma parte da história. Vamos ver se...Bolando as trocas, a "coisa" dá.
Agradeço seus comentários com mais entrelinhas do que linhas. Gosto assim, desse jeito.

Beijos de luz.

layla lauar disse...

palavras de sentido tão pleno que não encontro
outras que me soem capazes de se equiparar a
elas, para que possa expressar minhas reações
ao que escreve.

e eu me perco no modo como cada jogo de palavras ressoa dentro do meu peito. mas, enfim, percebo que isso é mais do que o bastante.

não mente? como bem disse o outro, todo poeta é um fingidor, mas você escreve com alma (alma não mente) e com tanta veracidade que eu até acredito que a mentira seja verdade.

;) beijo

Angella Reis disse...

Que belo, Benno!! Amo tuas linhas, escreves com a alma.

Vim te desejar um 2012 repleto de paz, amor, saúde, felicidades e realizações. Que o ano que se aproxima te traga o melhor que a vida puder oferecer. Grande beijo! =*

Vanuza Pantaleão disse...

2012 chegando, Benno...
Mais e mais inspirado sejas!
Beijos, amigo!

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