segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O toque mágico


Eu não sei se foram os olhos profundos, o toque da pele, a textura da cútis ou seu cheiro que me seduziram. Talvez tenha sido o conjunto da obra.
Os seus olhos, de um negro absurdo, redondos, gigantes, hipnóticos, aveludados, neles vislumbrei a síntese dos tempos e, como num poço sem fim, mergulhei para sempre e ainda estou caindo.
O contato da pele, a um simples primeiro contato,  me arrepiou. A textura da cútis parecia uma continuidade de mim.
Certamente, aquele tecido em que deitei meu corpo me foi concedido por encomenda. Literalmente rolei pelos seus meandros senti a sua extensão como uma verdadeira conquista, como aquela dos navegantes que ousaram e tomaram para si o Novo Mundo. O cheiro há de restar para sempre em minha memória. Vivo os dias em sua lembrança, inebriado, bêbado e enlouquecido.
Enquanto tirava sua roupa, cada peça por vez e lentamente, foi esculpindo em mim uma ereção universal. Ela tinha um jeito de se despir descortinando aos poucos um espetáculo escondido que era seu corpo.
E aí então fui todo língua e dedos. Re-esculpi inteiramente o contorno do seu corpo com o cinzel agudo e escarlate de minha língua. Escalei o cume ereto de seu seio, lentamente, como que fingindo ser difícil a escalada, mas não era. A única dificuldade era como a do desvendar de um mistério. E quando a penetrei, não havia mais eu ou ela, pois nos fundimos e viramos um só corpo, uma só emoção. Meu coração pulsava compassado com o seu coração. E nos desvencilhamos do nosso passado, para sermos só o presente dos nossos corpos interpenetrados, na língua, no sexo, na emoção e nos poros.
E eu explodi e ela explodiu. Explodimos ao mesmo tempo como um Vulcão grandioso que irrompe sobre si mesmo. Derramei minhas lavas quentes em seu vale. A partir daí, fomos um e mesmo sempre.





-x-

ai, quem dera. nossos corpos
bailassem encantados
numa dobra
do continuo espaço-tempo
e assim
neste hiato
enfim pudessem
vencerem incólumes
as muralhas
do tempo e da distância
e se fundissem
e se embalassem
e se enrolassem
mutuamente abraçados
e se fundissem nossas belezas
numa só e única beleza
num só verbo e substância
e que o meu rosto em teu rosto
o meu corpo em teu corpo
minha pele em tua pele
minha boca em tua boca
se mesclassem num só corpo
numa só boca, num só rosto e numa só pele
e eu já nem soubesse
onde termina meu braço
onde começa teu colo
onde começa tua lingua
onde termina meu peito
ai, quem dera
fossemos únicos e mesmos
e fossemos dois em um enfim

10 comentários:

paula barros disse...

Toque mágico que deixou lembranças
Ou Toque mágico que desejamos

Muito bonito, envolvente, sensual...
abraço

Luna Sanchez disse...

Bonita a visão romântica do carnal.

Beijos.

Mila Noya disse...

"como um Vulcão grandioso que irrompe sobre si mesmo..."

Assim é você, Benno.
Há nas tuas palavras um vulcão de mil tonalidades.
Seus personagens brotam da ideia e habitam o imaginário.
Saltam das chamas ardorosas das palavras para pulsar na corrente sanguinea do leitor.
Uma escrita primorosa que prepara cominho para outra obra grandiosa que é: amar e ser amado, na sua essencialidade.

Obrigada!
Como é bom ler-te, poeta.

Ava disse...

Sensualíssimo... Tuas palavras tem um que de provocativas, como se quisessem despertar sentimentos nossos, bem adormecidos...

Beijos

das coisas que escorrem da boca... disse...

te reler é como acender luzes em caminhos que escureci. belo traçado da memoria sensorial.
um feliz 2012. beijos.

Rafah Jenuino|Publishing Group. disse...

Olá!
Gostei muito do teu espaço, e estou segundo – te!

“ Pois o que realmente importa é a observação, sem ela o olhar perde a graça...”

Um abraço, Rafah – Blog Eternus!
http://eternizadoempalavras.blogspot.com/

Desnuda disse...

Boa noite Benno,


Um texto gostoso de ler e de sentir. Um belo poema de amor inspirado na mais bela magia.

Obrigada pela visita. Beijos com carinho

LUZ disse...

Olá Benno,

Eu não sou Professora de Geografia, portanto entendo pouco de vulcões, lavas e vales, mas sou de Língua Portuguesa.

JÁ SABE COMO FICO, MENTALMENTE FALANDO, QUANDO LEIO O QUE ESCVREVE.

Hoje, não é excepção.

Que sensualidade de língua, ou seja linguística, que o Senhor Engenheiro arranjou!
Não sobrou um niquinho, SANTO DEUS.

Dois em um, é como shampô e amaciador num só, está tudo ali, tudo concentrado, tudo à nossa mão e com resultados fabulosos.

Incrível, este jogo de palavras, de sensacões, que nos provoca.

É para isso, que escreve, decerto.
Me visite, quando quiser. Tenho uma maçâ para lhe dar. Eu sei, que vai gostar.

Bom fim de semana.

Beijos de luz.

layla lauar disse...

delicioso... de arrepiar a pele e a alma!

beijos

layla lauar disse...

delicioso... de arrepiar a pele e a alma!

beijos

Postar um comentário